

Sentei-me naquele banco da estação de trem abandonada, e me vi completamente perdido. Senti um desespero correr por minhas veias e uma vontade de chorar, fugir, me petrificar. Algo que estancasse essa sensação corrosiva. Eu e minha mala - não sei o que eu tinha na cabeça. Como fui parar ali, se afinal é um lugar desativado e deserto? Deitei-me então, e encolhi-me como uma criança perdida. Não havia ninguém a minha espera. Não havia um destino a se chegar. Não havia nada mais. Coloquei meus fones de ouvido e uma música bem fúnebre, e senti a podridão da minha alma sem ela. Talvez eu quisesse muito voltar pra onde havia alguém por mim, por mais distante que fosse. Por mais gelado que fosse. Porque era meu lugar. E agora eu me limito à minha raiva e meu vazio. Ela devia vir me buscar… Se soubesse que sinto mais frio aqui do que em qualquer lugar, talvez não me deixasse mais abandonado, como essa velha e esquecida estação.